Creme-de-Alface

As palavras aconpanham nossa existência, elas nos permeiam, nos cercam, nos salvam e nos matam na mesma intensidade. Lucila Nogueira diz que "excreve para exorcisar fantasmas", Dickinson, por sua vez, diz que "os Poetas acendem Lâmpadas - mas eles próprios - se apagam". Escrever/ler é sempre um escapismo, uma segunda chance, um lapso no vácuo onde podemos recomeçar. Espero que, nessas esquinas virtuais,possamos, segundo o Caio Fernando Abreu, decifrar nossa própria paisagem interna.

Saturday, July 29, 2006

Só Pro Meu Prazer

O que dizer de tudo isso? Me importar pra quê?
No final tem sempre mais uma senha e outra e outra.
Um sábado leonino, duplamente leonino.
E uma canção que não cansa em tocar nos absurdos ancestrais
dos recôncavos mais profundos de um pensamento perdido:

Não fala nada deixa tudo assim por mim
Eu não me importo se nós não somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras E assim não faz mal
E assim não me faz mal não

Noite e dia se completam o nosso amor e ódio eternos
Eu te imagino, eu te conserto eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer

Só pro meu prazer

Não venha agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso
Também se não for não faz mal
Não me faz mal não
(Cazuza)

Thursday, July 27, 2006

Senhas e Filas

Sabe que olhando direitinho você não é de toda ruim, meu bem, eu sei que atrás de todas as palavrinhas que você cuidadosamente encaixota diariamente antes de sair de casa deve haver algo de interessante. Eu posso até vê-la com aquela camisolinha pastel, querida, tão branca tão clara tão assim como um feijãozinho com arroz ou aquele ovinho frito do café, você acorda cedo não é? Eu sei que acorda. Tem um sono leve também, acorda fácil. Mas eu não a culpo, pelo menos não por completo, você é só mais uma, queridinha. Mais uma, só isso. Sabe o que nos torna tão díspares? Sabe de que substancia disforme é preenchido esse hiato oceânico que nos separa? De inteligência, meu bem. De autenticidade. Não essa coisa metódica e fria de óculos e lápis entre os dedos numa obediência demonicamente pactual, mas disso de que falo é que são movimentadas minhas veias e banhados todos os meus inúmeros poros já um tanto gastos, disso a que ouso chamar de sinal, honney, de marca, aquele Q a mais que as pessoas dizem por ai. Tudo bem que hoje de nada valem todas as letras de todos os alfabetos de todas as línguas a mais em nossa existência fria. Por isso que também te entendo, meu anjo, eu sei que você só está pegando sua senha e entrando na fila. Sei que você tem que ser essa coisa esguia pendurada na parede da riquinha filha da puta que te comprou. E tão barato, não é meu bem? Ah, mas também não digo isso com pena não tá? Nem quero que pense que me importo. Não dou a mínima se você sofre, meu bem. Eu quero que se foda, honney. Chamo, chamo sim, meu bem. Até porque não conheço outro item lexical melhor para pelo menos tentar chegar perto do que quero dizer. Mas não tenha raiva, querida. Eu quero que se foda sim. Mas quero que se foda porque assim deve ser, porque você não é mais do que um encosto de porta. Dispensable. Sinto informá-la, meu bem, mas você é acessória. Enquanto a mim, mesmo que não tenha seu enorme talento para baixar a cabeça repetidas vezes como uma bolinha de borracha na mão de uma criança qualquer, permaneço com essa coisa latente pulsando nas minhas veias. Sabe, querida, eu queria até te dizer uma coisa antes de ir. Antes que você morra de vez e eu continui com todas as letras a mais. Acho você meio puta sabe. Não não quero te ofender. Mas consideremos a palavra puta num sentido mais romântico. Não não, não precisa mudar a pronúncia porque puta é puta e pronto. Mas é assim, meu anjo, você se vende tanto, se entrega tanto a tudo que é tão frio e nem tenta nos aquecer, se aquecer. O que te falta é o beijo, querida. Acho que seu Q a menos está ai contido. Eu sei eu sei. Sei que quando bater aquela porta atrás da gente você vai continuar assim lápide, puta e inbeijável. Mas precisava te dizer isso. Sinto muito. Não por você. Claro que não, meu anjo. Menos ainda por mim. Mas pelas inúmeras senhas que ainda serão distribuídas nessa imensa fila.

Recife, 27 de Julho de 2006.

Driko Andrade.

Wednesday, July 26, 2006

L'amour Est Un Oiseau Rebelle


O amor é um pássaro rebelde
Que ninguém pode prender,
Não adianta chamá-lo
Pois só vem quando quer.

Não adiantam ameaças ou súplicas,
Um fala bem, o outro cala-se
É o outro que prefiro,
Não disse nada, mas agrada-me.

O amor é filho da boêmia,
Que nunca, nunca conheceu qualquer lei;
Se não me amares, eu te amarei;
Se eu te amar, toma cuidado!

O pássaro que julgavas surpreender
Bateu asas e voou
O amor está longe, podes esperá-lo
Já não o esperas, aí está ele,

À tua volta, depressa, depressa,
Ele vem, ele vai, depois volta,
Julgas tê-lo apanhado, ele te escapa;
Julgas que te fugiu, ele agarra-te.

O amor é filho da boêmia,
Que nunca conheceu qualquer lei.
Se não me amares, eu te amarei;
Se eu te amar, toma cuidado!


Ópera Carmen - L'amour est un Oiseau Rebelle
O Amor é um Pássaro Rebelde (Tradução).
Bizet.

Tuesday, July 25, 2006

Mas não demores tanto





















Sei que hás de vir ferozmente enfeitiçado
nesse rapto anunciado para cruzar as águas do Capibaribe ao Douro
e dançaremos à luz de um candelabro de sete braços
até o sol secar as sete saias tiradas ao som de sete violinos
durante as sete noites da encantação.

Mas não demores tanto.
Que amar é a arte de se fazer presente
e tudo aquilo que precisamos
é de poesia
loucura e ênfase
no ato heróico de reabrir as portas
da carne mansa que se equivocou.



>Fragmento: Lucila Nogueira. Mas não demores tanto. Poesia em Medellin, 2006.
>>Foto: Don Gregorio Anton. Me muevo sin querer, da exposição "The total sum of solitudes".

Saturday, July 22, 2006

Três Paus Mandados

“I wake up this morning, baby
The blues was pouring out of me
Nobody knows, nobody sees”.


Jean-Jeaques Goldman.


Ao som de Billie Hollyday

De lado, sobre o braço direito e olhos fixos no branco desbotado e úmido, sem a menor inspiração e uma enorme dor-de-cabeça conseqüência não sei se do vinho de ontem á noite, da mesmice cotidiana ou dos inúmeros sonhos que tive esta madrugada. Se bem que, na verdade, eu nem sei se foram inúmeros ou se foi apenas um de alcalina duração – a gente nunca sabe de tamanhos ou números não é mesmo? Pelo menos as gentes que nem a gente nunca sabem. Falando em sonhos, aliás, escrevendo sobre sonhos, me dei conta que fazia um tempo que não me lembrava assim com essa nitidez (por sinal chatíssima) de ter tido uma noite assim banhada a sonhos perpendiculares. Mas voltando, voltando não porque nem comecei a dizer ainda, começando a dizer, sim agora tá mais apropriado, começando a dizer eu acordei muito indignado com Freud se não fosse ele, se não fosse ele tão mal resolvido e na sua máresoluçãotoda tentar explicar o inexplicável, tentar desossar essa coisa plasmática que a gente tem por baixo da pele, por baixo dos tecidos de todos os órgãos, atrás de todos os longínquos arcos-íris que secretamente se enterram nessas terras hostis que nomeamos de mente. Se não fosse o Freud e aquele bigodinho ridículo, hoje eu teria acordado completamente débil e feliz, tudo bem que com um pouquinho de dor-de-cabeça, mas débil e feliz. Tem coisa melhor do que ser débil e feliz? Sabe, tenho pensado muito sobre isso que chamam de felicidade e tenho concluído que, concluído não porque nesse mundinho ninguém conclui porra nenhuma a não ser quando mentimos, na verdade, tenho apenas deduzido que os únicos felizes são os débeis, quem pensa demais desencanta-se mais, um desencantamento fático, quase naturalista, não não, não é aquela coisa tipo Euclides da Cunha e seu “Sertões” não. É uma coisa mais natural ainda, mais trágica talvez. De qualquer forma, antes que você se canse ou me pergunte quem é esse cara, retomemos ao Freud, se aquele puto tivesse nascido débil e feliz ele não teria feito isso comigo, com a gente. Porque hoje eu acordei golfando aqueles sonhos mal passados que o insolente do meu Id fez questão de acordar e burilar e virar de ponta à cabeça a madrugada inteirinha. A gente, às vezes, acha que as feridas pararam de sangrar, que as cicatrizes desapareceram e um dia desses num sábado qualquer a gente acorda e o infeliz do Id fez questão de trazer tudo à tona novamente. Freud criou incompetentes, cara – um senhor certinho, um vigilante da moral e dos bons costumes e um palhaço gozador – mas todos, cara, todos uns imbecis. Quem pensam que são pra nos manterem presos assim? Eu queria mais, sabe. Queria não ter que acordar e ter raiva dessa coisa espessa e escura que escorre da minha testa e cobre meu corpo de espasmos me fazendo lembrar de tudo que eu julgava esquecido e lançado a tempos nos porões de Hades. Mas, então, agradeçamos ao Freud e aos seus três paus mandados porque não nos permitiram ficar na caverna com os Ídolos de Platão, cortaram nossos grilhões e hoje podemos acordar assim, cara, inteligentes e infelizes e com o Id rondando essas manhãs, que antes eram nossas apenas, que antes não tínhamos a menor chance ou pretensão de converter em nada aqueles resquícios da madrugada ida, que antes eram apenas sonhozinhos e não essas carrancas de olhos largos e dentes pontudos talhadas cuidadosamente por nossos passados presentes.

Recife, sábado, 22 de julho de 2006.

Driko Andrade.

Wednesday, July 19, 2006

AQUELA NOITE

Porque no espelho os monstros sempre se mostram.

Cheguei às 9 depois de uma Sessão de Arte enfadonha e uma costumeira companhia não menos chata. O banho frio e o café morno de sempre antes de deitar e fugir novamente – digo, tentar. Estava fria aquela noite – não porque estivesse chovendo ou algo parecido, não porque as outras eram quentes, mas de algum modo, por uma razão inexplicavelmente invulgar estava mais fria que o de costume aquela noite. Preciso trocar os lençóis, penso num mesmo instante que vem à tona, em meio a devaneios desconexos, que ainda é segunda. Mas o que importa se todos os dias eram segundas agora, até mesmo os, como dizem, domingos quando não preciso fingir parecem segundas e já faz algum tempo isso. O cheiro de cânfora queimando no ar parecia tornar o tempo ainda mais gelado e um pouco mais real. Só então a lembrança da noite passada me chega forte como uma seta guiada direto ao ego ainda aceso. O Monstro Branco me visitou 3 vezes a noite passada. Ele – a dupla-face da inexistência de qualquer verdade. Ele – a beleza imunda de toda uma superficialidade pulsante. Ele – com sua grande máscara cintilante tão pregada ao rosto quanto a própria pele. Ele – o grande vazio que permeia uma mente de Etiquetas Sublinhadas e Melodias Fáceis. Ele – o Monstro Branco. Seu sorriso branco (talvez mais ainda que seu corpo grande, belo e completamente branco) espelhando meu rosto frágil e sutil como a moldura de um quadro famoso que ninguém presta atenção. Meus detalhes ricos em perfeição mesmo aparentes nunca se mostram à primeira olhada. Seu hálito de Monstro branco e quente na minha nuca fria tentando imprimir sua marca de besta e sugar de mim o precioso néctar de seu desejo, o líquido vital em que atordoa sua sede branca. Seus olhos de índigo profundo e cortante atirando porções de vidro quebrado sobre mim enquanto me contorce em suas mãos trêmulas e brancas. Seus cabelos em chamas percorrem a superfície de minhas costas nuas como quem procura o preciso X num mapa antigo. Tento desesperadamente me libertar de seu cativeiro, mas seus braços são mais fortes e mais brancos que os meus. A batalha estaria sempre perdida, o Monstro Branco sabe exatamente como me apanhar, mesmo que me enterre nas trincheiras mais profundas da alma ele sempre sabe onde me escondo e quase sem nenhum esforço me mantém preso ao seu Destino. Sua boca vermelha entornada por sulcos milenarmente intactos e brancos me espreita de lado e aguarda o amolecer completo de meu corpo esguio, até que possa me engolir por inteiro. Até que possa me digerir de uma única vez várias vezes sem nenhuma pausa. E então me vomite do seu seio aberto e branco e me plante novamente aos pés de sua enorme Sombra Branca. O pequeno marca 11, o médio teso em 12 e o maior em algum ponto entre 1 e 2. Uma hora para a primeira segunda terminar, uma hora para a segunda começar. Acho que Ele não virá hoje. Sua sede morta deve ressuscitar seis vezes antes da Lua Cheia, então borbulhando ele acorda e vem a mim como um predador nato e hostil e branco. Deitado de bruços sobre os braços, sei que amanhã é segunda, que é preciso fingir novamente, que o Monstro Branco dorme em silêncio, mas me espera ao anoitecer.

Recife, segunda-feira, 24 de Outubro de 2005.
Driko Andrade.

Tuesday, July 18, 2006

Véu de Pirilampo

E o vaidoso fabricante de versos perguntou, em tom superior:
— E esses óculos escuros à noite, para que são?
E eu lhe respondi em silêncio:
— Porque a sua maldade é eterna.

E porque os poetas vêem melhor na escuridão.


E eu coloquei meus óculos escuros
contra a mediocridade dos neons
contra a agressão das almas monstruosas
e a crueldade oculta nas manhãs
— na penumbra amnésica anteparo
o cotidiano fogo dos dragões.

E eu ajustei meus óculos escuros
mas vi gente comendo carne humana
crianças assaltando à mão armada
cheirando cola ou sendo trucidadas
enquanto os vaidosos declamavam
a sua dor tão dicionarizada.

E eu saio à rua de óculos escuros
porque me cega a cena da injustiça
porque a lei só legitima a força
descobriu a platéia o fundo falso do palco
onde encerrou-se o último ato
e se esqueceram de fechar o pano.

E eu uso sempre os óculos escuros
porque o mundo é uma faca nas pupilas
trapézio inteiro de arame farpado
sobre a rede de areia movediça
a pele triturada e sem aplausos
prossigo encantadora de serpentes
E eu saio à noite de óculos escuros
porque meu corpo acende nessa hora
meus óculos são véu de pirilampo
me resguardam de dentro para fora
escondem o meu sol subcutâneo
— são a nave em que chego até os homens.


Lucila Nogueira.

Monday, July 17, 2006

COR-RESPONDÊNCIA

Remeta-me os dedos em
vez de cartas de amor
que nunca escreves
que nunca recebo.
Passeiam em mim estas tardes
que parecem repetir
o amor bem feito
que voce tinha mania de fazer comigo.
Não sei amigo
se era o seu jeito
ou de propósito
mas era bom, sempre bom
e assanhava as tardes.
Refaça o verso
que mantinha sempre tesa
a minha rima
firme
confirme
o ardor dessas jorradas
de versos que nos bolinaram os dois
a dois.
Pense em mim
e me visite no correio
de pombos onde a gente se confunde
Repito:
Se meta na minha vida
outra vez meta
Remeta.


Elisa Lucinda

(Tela: Evening Mood, 1882. Adolphe-William Bouguereau.)

Saturday, July 15, 2006

Três letras e apenas uma vogal















Para JWA

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar”.

Alvin L.


Ao som de Jewel


Quando olho pra você tenho apenas pena, ou menos que isso. Algo completamente irrotulável e indizível. Não que seja grande e não caiba em palavras não é isso não, mas é que de tão mínimo, de tão irrisório não caberia sequer numa mínima ascensão de um fonema qualquer que porventura saísse da minha boca. O que quero dizer, aliás o que não quero dizer mas sou obrigado pelo seu spectro que me acorda nessas manhãs cinzentas de julho, é que de toda forma você passou. Passou como um pássaro feio que ronda as janelas alheias que chega e parti sem o menor esforço ou dignidade. Não, não é raiva não. Como disse, de nada sei sobre teus inconstantes paradoxos sei apenas das nuances de minhas carências entorpecidas de cigarro e cerveja. Mesmo que tuas inicias estejam cravadas em meu peito aberto lavrando cicatrizes de sangue e musgo, nem me lembro mais de teu nome. Desse nome de monstro branco que por tantas vezes me tomou o espaço e me confundiu os sentidos, só restaram três letras banais e apenas uma vogal. Tem coisa mais chata que uma sigla cheia de consoantes? Te enquadro numa caixinha de guardar jóias feita de papel, papel barato por assim dizer, frágil e feia na sua total descartabilidade. Uma sigla pobre, cheia de consoantes que nada fazem desacompanhadas, mas que se vale de uma única vogal para existir-se assim lúdica, bonita, auto-suficiente, doce até, mas cercada de consoantes pra sempre.

Recife, 15 de Julho de 2006.

Driko Andrade.

Thursday, July 13, 2006

Final del Juego

"Era perfectamente natural que te acordaras de él a la hora de las nostalgias, cuando uno se deja corromper por essas ausencias que llamamos recuerdos y hay que remendar con palabras y con imágenes tanto hueco insaciable"
Julio Cortázar

Para uma avenca partindo

“Você cresceu em mim dum jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver nascer uma coisa qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno recipiente, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço. [...] Eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver”.


In: Caio Fernando Abreu. O ovo apunhalado. p.87-90.