Creme-de-Alface

As palavras aconpanham nossa existência, elas nos permeiam, nos cercam, nos salvam e nos matam na mesma intensidade. Lucila Nogueira diz que "excreve para exorcisar fantasmas", Dickinson, por sua vez, diz que "os Poetas acendem Lâmpadas - mas eles próprios - se apagam". Escrever/ler é sempre um escapismo, uma segunda chance, um lapso no vácuo onde podemos recomeçar. Espero que, nessas esquinas virtuais,possamos, segundo o Caio Fernando Abreu, decifrar nossa própria paisagem interna.

Monday, August 28, 2006

Corsário

Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: Mar
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso,
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo e irá
Com as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!
(João Bosco & Aldir Blanc, mais uma da trilha sonora 2006)

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