Três letras e apenas uma vogal

Para JWA
“Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar”.
Alvin L.
Ao som de Jewel
Quando olho pra você tenho apenas pena, ou menos que isso. Algo completamente irrotulável e indizível. Não que seja grande e não caiba em palavras não é isso não, mas é que de tão mínimo, de tão irrisório não caberia sequer numa mínima ascensão de um fonema qualquer que porventura saísse da minha boca. O que quero dizer, aliás o que não quero dizer mas sou obrigado pelo seu spectro que me acorda nessas manhãs cinzentas de julho, é que de toda forma você passou. Passou como um pássaro feio que ronda as janelas alheias que chega e parti sem o menor esforço ou dignidade. Não, não é raiva não. Como disse, de nada sei sobre teus inconstantes paradoxos sei apenas das nuances de minhas carências entorpecidas de cigarro e cerveja. Mesmo que tuas inicias estejam cravadas em meu peito aberto lavrando cicatrizes de sangue e musgo, nem me lembro mais de teu nome. Desse nome de monstro branco que por tantas vezes me tomou o espaço e me confundiu os sentidos, só restaram três letras banais e apenas uma vogal. Tem coisa mais chata que uma sigla cheia de consoantes? Te enquadro numa caixinha de guardar jóias feita de papel, papel barato por assim dizer, frágil e feia na sua total descartabilidade. Uma sigla pobre, cheia de consoantes que nada fazem desacompanhadas, mas que se vale de uma única vogal para existir-se assim lúdica, bonita, auto-suficiente, doce até, mas cercada de consoantes pra sempre.
Recife, 15 de Julho de 2006.
Driko Andrade.
Quando olho pra você tenho apenas pena, ou menos que isso. Algo completamente irrotulável e indizível. Não que seja grande e não caiba em palavras não é isso não, mas é que de tão mínimo, de tão irrisório não caberia sequer numa mínima ascensão de um fonema qualquer que porventura saísse da minha boca. O que quero dizer, aliás o que não quero dizer mas sou obrigado pelo seu spectro que me acorda nessas manhãs cinzentas de julho, é que de toda forma você passou. Passou como um pássaro feio que ronda as janelas alheias que chega e parti sem o menor esforço ou dignidade. Não, não é raiva não. Como disse, de nada sei sobre teus inconstantes paradoxos sei apenas das nuances de minhas carências entorpecidas de cigarro e cerveja. Mesmo que tuas inicias estejam cravadas em meu peito aberto lavrando cicatrizes de sangue e musgo, nem me lembro mais de teu nome. Desse nome de monstro branco que por tantas vezes me tomou o espaço e me confundiu os sentidos, só restaram três letras banais e apenas uma vogal. Tem coisa mais chata que uma sigla cheia de consoantes? Te enquadro numa caixinha de guardar jóias feita de papel, papel barato por assim dizer, frágil e feia na sua total descartabilidade. Uma sigla pobre, cheia de consoantes que nada fazem desacompanhadas, mas que se vale de uma única vogal para existir-se assim lúdica, bonita, auto-suficiente, doce até, mas cercada de consoantes pra sempre.
Recife, 15 de Julho de 2006.
Driko Andrade.


7 Comments:
put grila, nunca tinha visto a utilidade das vogais dessa forma.. muito interessante.. e vi que tu destrinchou todos os teus sentimentos pra escrever esse texto.. deu o sangue.. ficou muito fodão..
put grila, nunca tinha visto a utilidade das vogais dessa forma.. muito interessante.. e vi que tu destrinchou todos os teus sentimentos pra escrever esse texto.. deu o sangue.. ficou muito fodão..
são como sequencias de um mesmo filme
a vida é feita de pseudo-recomeços, e este é mais um deles
boa sorte ^^
marcas de caio fernando nos teus textos?
mas acho que tu conseguiu bem demosntrar os sentimentos desses dias cinzentos de julho (pra mim tbm).
:~~
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OI! Muito bom.. sentimento muito forte.. gosto disso!
gosto de textos que nos fazem senti "dor" quando lemos...
Me deixa curiosa...
Finally!!! Encontrei as palavras certas para o momento em que sempre tive q chorar e dormir calado.
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