Creme-de-Alface

As palavras aconpanham nossa existência, elas nos permeiam, nos cercam, nos salvam e nos matam na mesma intensidade. Lucila Nogueira diz que "excreve para exorcisar fantasmas", Dickinson, por sua vez, diz que "os Poetas acendem Lâmpadas - mas eles próprios - se apagam". Escrever/ler é sempre um escapismo, uma segunda chance, um lapso no vácuo onde podemos recomeçar. Espero que, nessas esquinas virtuais,possamos, segundo o Caio Fernando Abreu, decifrar nossa própria paisagem interna.

Saturday, July 15, 2006

Três letras e apenas uma vogal















Para JWA

Às vezes eu quero chorar
Mas o dia nasce e eu esqueço
Meus olhos se escondem
Onde explodem paixões
E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar”.

Alvin L.


Ao som de Jewel


Quando olho pra você tenho apenas pena, ou menos que isso. Algo completamente irrotulável e indizível. Não que seja grande e não caiba em palavras não é isso não, mas é que de tão mínimo, de tão irrisório não caberia sequer numa mínima ascensão de um fonema qualquer que porventura saísse da minha boca. O que quero dizer, aliás o que não quero dizer mas sou obrigado pelo seu spectro que me acorda nessas manhãs cinzentas de julho, é que de toda forma você passou. Passou como um pássaro feio que ronda as janelas alheias que chega e parti sem o menor esforço ou dignidade. Não, não é raiva não. Como disse, de nada sei sobre teus inconstantes paradoxos sei apenas das nuances de minhas carências entorpecidas de cigarro e cerveja. Mesmo que tuas inicias estejam cravadas em meu peito aberto lavrando cicatrizes de sangue e musgo, nem me lembro mais de teu nome. Desse nome de monstro branco que por tantas vezes me tomou o espaço e me confundiu os sentidos, só restaram três letras banais e apenas uma vogal. Tem coisa mais chata que uma sigla cheia de consoantes? Te enquadro numa caixinha de guardar jóias feita de papel, papel barato por assim dizer, frágil e feia na sua total descartabilidade. Uma sigla pobre, cheia de consoantes que nada fazem desacompanhadas, mas que se vale de uma única vogal para existir-se assim lúdica, bonita, auto-suficiente, doce até, mas cercada de consoantes pra sempre.

Recife, 15 de Julho de 2006.

Driko Andrade.

7 Comments:

At 7:30 AM, Anonymous Anonymous said...

put grila, nunca tinha visto a utilidade das vogais dessa forma.. muito interessante.. e vi que tu destrinchou todos os teus sentimentos pra escrever esse texto.. deu o sangue.. ficou muito fodão..

 
At 7:30 AM, Anonymous Anonymous said...

put grila, nunca tinha visto a utilidade das vogais dessa forma.. muito interessante.. e vi que tu destrinchou todos os teus sentimentos pra escrever esse texto.. deu o sangue.. ficou muito fodão..

 
At 8:15 AM, Blogger Unknown said...

são como sequencias de um mesmo filme
a vida é feita de pseudo-recomeços, e este é mais um deles
boa sorte ^^

 
At 8:25 AM, Blogger Emanuel said...

marcas de caio fernando nos teus textos?
mas acho que tu conseguiu bem demosntrar os sentimentos desses dias cinzentos de julho (pra mim tbm).

:~~

 
At 8:26 AM, Anonymous Anonymous said...

This comment has been removed by a blog administrator.

 
At 5:26 AM, Blogger Samantha Abreu said...

OI! Muito bom.. sentimento muito forte.. gosto disso!
gosto de textos que nos fazem senti "dor" quando lemos...

Me deixa curiosa...

 
At 2:24 PM, Anonymous Anonymous said...

Finally!!! Encontrei as palavras certas para o momento em que sempre tive q chorar e dormir calado.

 

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