Mas não demores tanto

Sei que hás de vir ferozmente enfeitiçado
nesse rapto anunciado para cruzar as águas do Capibaribe ao Douro
e dançaremos à luz de um candelabro de sete braços
até o sol secar as sete saias tiradas ao som de sete violinos
durante as sete noites da encantação.
Mas não demores tanto.
Que amar é a arte de se fazer presente
e tudo aquilo que precisamos
é de poesia
loucura e ênfase
no ato heróico de reabrir as portas
da carne mansa que se equivocou.
>Fragmento: Lucila Nogueira. Mas não demores tanto. Poesia em Medellin, 2006.
>>Foto: Don Gregorio Anton. Me muevo sin querer, da exposição "The total sum of solitudes".


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